- 30/07/2021
Assunto: O Globo – 15.07.2021
Europa anuncia plano ambicioso que muda de carros a aquecimento de casas
Bélgica – A Comissão Europeia, organismo executivo da União Europeia (UE), apresentou nesta quarta-feira um projeto para transformar a economia do bloco, com impacto em aspectos da vida cotidiana que vão da calefação das casas ao tipo de automóveis que trafegam nas ruas. O plano, que agora seguirá para o que promete ser um árduo debate entre os 27 Estados-membros da UE, é uma ambiciosa estratégia multilateral de combate à crise climática, posicionando o bloco na liderança da política ambiental.
As medidas forçam todas as indústrias do continente a eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis para reduzir a emissão de gases poluentes em ao menos 55% até o fim desta década, em comparação com os níveis de 1990, e neutralizar essas emissões até 2050. A nova meta foi aprovada em junho, mas a UE ainda não havia detalhado como pretende alcançá-la.
À FRENTE DE EUA E CHINA
Se implementadas como o previsto, as medidas do plano batizado de “Fit for 55” (pronto para os 55) – porão a UE à frente de outras potências econômicas, incluindo os EUA e a China, na corrida pela neutralidade do carbono ou seja, a compensação de todas as emissões. Trata-se da estratégia mais abrangente e detalhada já apresentada por qualquer governo em direção a uma economia verde.
– Nosso pacote almeja combinar a redução das emissões com medidas para preservar o meio ambiente e os empregos, e põe o equilíbrio social no centro desta transformação – disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O compromisso, ainda assim, fica aquém do que muitos julgam necessário: a redução de 55% é considerada “insuficiente” pela organização Carbon Action Tracker, que monitora ações e políticas climáticas pelo mundo. Segundo o grupo, a UE precisaria cortar suas emissões em 65% até 2030 para cumprir os objetivos traçados pelo Acordo de Paris.
O pacto ambiental de 2015 almeja limitar o aquecimento global a até 2ºC em comparação aos níveis pré-industriais e, idealmente, mantê-lo inferior a 1,5ºC — mudança de temperatura considerada máxima para que se evite um cataclisma. Em um comunicado, o diretor do Greenpeace na Europa, Jorgo Riss, equiparou-a celebração das metas recém apresentadas a “um atleta de salto com vara que pleiteia uma medalha por saltar abaixo da barra”.
A UE é hoje responsável por cerca de 7,5% das emissões de carbono do planeta, atrás da China e dos EUA, responsáveis respectivamente por 26,7% e 12,6% das emissões. O bloco, contudo, tem imenso poder político e seu plano é visto não só como um exemplo para outros países, mas também como um incentivo para o desenvolvimento de novas tecnologias verdes.
